Mãos trêmulas

Suas mãos estavam trêmulas, o corpo carregava o peso de 100 anos, mas ela tinha apenas 25.
Ela perdera o controle de suas mãos, assim como perdera o controle de sua vida, vivia vagando dentro de si mesma perdida em meio aos pensamentos que a faziam chorar.
Ela já estava acostumada a chorar, a tristeza era sua maior companheira, como uma amiga de longos anos, eram inseparáveis, sua tristeza era sua melhor companhia, talvez a única, pois ela preferia o isolamento, ela se afastara de todo mundo, talvez ela não fizesse mais parte dele, o mundo era grandioso demais, cheio de vida de mais e com toda certeza isso seria demais pra ela, que estava vazia e pequena.
Os tremores eram tão frequentes quanto a tristeza que a assolava e ia crescendo dia dia após dia, ela se cansara disso da mesma forma como se cansara de viver, aliás a tempos que já não vivia, isso não era vida, não podia ser chamado de vida, ela sequer conseguia escrever, sequer conseguia controlar as próprias mãos.
Aos poucos os “te amo” viraram “gosto de você” e ela sabia o que viria depois, ela já vivera isso antes, tudo que ela queria era poder viver de novo, de verdade, ou que ela pudesse descansar de uma vez, não ter mais que carregar seus 100 anos no corpo que era pra ser tão jovem, isso é impossível, isto a tornara um corpo que vagava com uma alma morta.
Ela seguia os mesmos caminhos, via as mesmas pessoas, fazia todos os dias as mesmas coisas, seguindo no modo automático, como um objeto de decoração ou como uma planta em um vaso, vegetando sem ter pedido pra estar ali e estando apenas para agradar aqueles que a observam.
Até a morte havia se esquecido dela, não viria mais lhe buscar e ela estava condenada a ficar para sempre ligada a este corpo seco, já era de se esperar que até a morte a esqueceria e como não seria assim, se até ela mesma já havia se esquecido, perdida em meio a tantos e tantos anos que equivaliam a séculos de peso e carga emocional.

Ela estava muito cansada, sabia que era hora de partir, de descansar, mas não conseguia fazer isso, suas mãos tremiam demais para qualquer forma que ela pensasse em pôr um fim nessa dor, seu castigo era viver, ver todos que ela se afeiçoou partirem, deixando-a para trás, sozinha sempre…

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