Barco ao Lado

Talvez seja hora de desistir.

Não por fraqueza.
Mas por exaustão.
Porque não estamos no mesmo barco, eu só insisti em remar do lado, acreditando que minha presença, mesmo de longe, já era amor suficiente pra nos manter juntos.

Você segue firme, no seu caminho, na sua velocidade, sem olhar pra trás.
E eu aqui, no barco do lado, que ninguém viu que estava furado.

Furou de tanto esperar.
Furou de tanta ausência, de tantos silêncios, de tantos “talvez”.
Furou com o peso dos meus próprios sentimentos mal correspondidos, das fantasias que criei com base em meia dúzia de gestos que talvez nunca significaram o que eu desejei.

Com um balde pequeno e às vezes só com as mãos, tento tirar a água pra fora, tentando manter o barco flutuando, tentando não ficar pra trás, tentando não naufragar sozinha.

Mas estou me afogando.
E não há braços seus estendidos pra me puxar.
Não há voz que diga: “vem, sobe aqui comigo.”

Só há o som do seu barco indo embora, sem perceber ou pior, percebendo, mas não se importando.

E eu… eu estou cansada.
Cansada de lutar sozinha por uma travessia que só eu sonhei em fazer a dois.

Talvez seja hora de largar o baldinho, parar de tentar.
De deixar o barco afundar e me resgatar da dor de insistir em quem não me escolhe.

Porque no fim das contas, não é amor quando só um rema.

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