Existe um lugar no tempo em que a gente se vê parada na encruzilhada entre o que é certo e o que arde. Entre o que deve ser feito e o que se deseja com todo o coração. E é ali, bem nesse ponto suspenso entre dois mundos, que eu estou agora.
De um lado, a estabilidade, o chão firme, os passos medidos. O que não machuca. O que não arranca a alma. O que me mantém em pé, mesmo que sem brilho nos olhos.
Do outro, um furacão. Um olhar que me atravessa como flecha. Uma voz que acalma meu caos mesmo quando é a origem dele. Um sentimento que queima e me devora, mas que me faz sentir viva. E eu queria tanto… só mais um segundo desse fogo, desse toque que não aconteceu, desse beijo que eu imaginei mil vezes.
A consciência me segura pela mão, tenta me puxar de volta, dizer que já basta, que o amor-próprio precisa ter a última palavra. Mas o coração é teimoso. Ele se arrasta, se ajoelha, se entrega, mesmo sabendo que talvez nunca receba nada em troca.
É uma luta diária entre silenciar os sentimentos e sufocar quem eu sou. Porque quem eu sou… sente demais. Ama demais. Espera demais.
E nessa espera, vou aprendendo a viver em metades. Um pouco aqui, outro pouco lá. Um sorriso fingido durante o dia, um choro escondido na madrugada. Um “tá tudo bem” dito com um nó na garganta. Porque o que eu queria mesmo era poder gritar:
“Me escolhe.”
Mas não grito. Porque sei que, talvez, ele nunca escute. Ou pior: escute e continue indo embora.
Hoje, sou só essa versão de mim mesma: dividida, mas tentando costurar pedaços, como quem reconstrói uma colcha de retalhos com os cacos de uma história que quase foi. Quase.
E no fim, sigo aqui… tentando encontrar um jeito de existir entre o que é certo e o que me consome por dentro.
