Se você soubesse o quanto eu desejei estar ali, naquela sala, naquele sofá, naquele instante onde tudo poderia parar.
Se você soubesse a força que fiz pra não te ligar, pra não aparecer, pra não implorar por mais um abraço, por mais um beijo, por mais um momento que talvez nunca tivesse real valor pra você, mas que pra mim significaria tudo.
Você disse vida que segue…
E sim, a vida segue.
Mas não me esperou.
Porque eu fiquei aqui, parada, te olhando partir todos os dias. Mesmo quando você ficava, você ia. Mesmo ao meu lado, você já estava longe.
E eu tentando te seguir com esse barquinho furado, usando as mãos pra tirar a água, sangrando os dedos pra não afundar, só pra estar perto.
Eu me perdi tentando te alcançar.
Me perdi nas noites em que nos ligavamos e você bêbado, e eu atendia como quem atende a esperança.
Me perdi nos sorrisos que você me dava, e que pareciam promessas.
Me perdi nos abraços que eu sonhava, nos toques que vinham e iam, nas palavras bonitas que nunca viraram realidade.
Me perdi naquele pedaço de pano, no cheiro que não era meu, mas que eu queria chamar de casa.
E agora eu estou aqui.
Com o coração estilhaçado e o amor inteiro.
Com as mãos vazias e a alma exausta.
Se você soubesse…
Que tudo que eu queria era ser aquela que você escolhe.
Não por carência.
Não por impulso.
Mas porque, no fundo, eu só queria ser seu lar.
E você parecia casa.
