Hoje eu só sinto o peso de ser menos. De ser quase. De ser nunca o suficiente.
Hoje eu me olho no espelho e vejo o rastro do que sobrou depois de tanto dar, tanto amar, tanto esperar.
Cansei de ser a peça que só serve quando falta alguém.
Cansei de ser uma presença confortável, mas invisível.
A que escuta, a que cuida, a que corre atrás.
A que segura o mundo dos outros enquanto o próprio desaba em silêncio.
Hoje eu me pergunto:
Em que momento deixei que me tratassem como descartável?
Em que parte do caminho aceitei migalhas achando que era banquete?
Eu fui amor onde só pediram companhia.
Fui presença onde só queriam silêncio.
Fui abraço onde só havia distância.
E mesmo assim, cá estou eu. Tentando entender por que dói tanto.
Tentando sufocar o choro só pra não parecer fraca.
Tentando não mandar mais uma mensagem, não implorar mais uma vez pra ser vista.
Mas a verdade é que, por dentro, estou gritando.
Porque eu queria ser escolhida.
Porque eu merecia ser escolhida.
Porque o que eu dei foi de verdade.
E mesmo assim, fui só uma peça no tabuleiro. Uma que caiu. Uma que ninguém sentiu falta.
Hoje eu entendo:
Não é que eu seja pouco.
É que tem gente que nunca soube lidar com tanto.
E por mais que doa…
É hora de juntar os cacos,
e, mesmo ferida, começar a me refazer.
