Hoje eu me dei conta… ele não é mais o mesmo.
Não é mais o menino dos olhos brilhantes, do sorriso que me fazia esquecer do mundo, das palavras doces no meio da tempestade. Hoje ele é silêncio, frieza, distância. Hoje ele é o oposto de tudo o que eu enxerguei ou de tudo o que eu quis acreditar.
Dói. Dói ver ele passar por mim como se eu fosse só mais uma. Dói lembrar do calor que havia entre a gente e encontrar agora um vazio cortante, uma indiferença que congela até o que sobrou do meu peito.
E eu tento, juro que tento ser forte, disfarçar, agir normalmente, mas por dentro tá tudo despedaçado. Porque não é fácil fingir que não se importa quando tudo em mim ainda grita por ele. Quando a vontade é só de pegar na mão dele e dizer: olha pra mim, por favor, me enxerga de novo. Mas ele não enxerga. Ele virou pedra.
E o mais cruel de tudo isso é que, mesmo sabendo que ele mudou, que ele se afastou, que me olha com uma frieza que machuca… eu ainda sinto. Ainda me importo. Ainda me perco nos detalhes. Ainda sonho com o abraço, com o toque, com o beijo que já foi meu, mesmo que só por mais um instante.
Hoje, o que restou em mim foi o silêncio depois da guerra. A lágrima que escorre em silêncio escondida no banheiro. A vontade de sumir só pra ver se a dor desaparece junto.
Ele diz que é “vida que segue”. Mas não sabe que tem uma vida aqui tentando seguir, mas tropeçando em cada lembrança, em cada promessa que nunca foi dita, mas que meu coração acreditou.
Só queria que ele soubesse o quanto isso machuca.
E que talvez… um dia, quando ele olhar pra trás, perceba o quanto perdeu.
