Muito Mais que Amigos, Muito Menos que Amor

Existe um lugar estranho entre o afeto e o abandono.
É uma terra sem nome, sem mapa, sem promessa.
É onde a gente se encontra quando o coração quer, mas o outro não pode, ou não quer, ficar.

A gente se olha como quem quer dizer tudo, mas não diz nada.
Se toca com o cuidado de quem sabe que não pode se entregar por completo.
A gente se fala com ternura, mas nunca com certeza.
É como se o amor batesse na porta, mas ninguém tivesse coragem de abrir.

Com ele, eu vivi pequenos instantes que pareciam eternidades.
Olhares demorados, abraços que paravam o mundo, silêncios que gritavam mais do que mil palavras.
Momentos que me faziam esquecer que, no fundo, não éramos nada além de dois corpos em trânsito, duas histórias cruzando um ao outro por um breve segundo de ilusão.

Não éramos amigos, nunca fomos.
Não havia aquela leveza de quem apenas compartilha a vida sem esperar algo além.
Mas também nunca fomos amor.
Não havia o compromisso, a presença, o cuidado cotidiano que sustenta e fortalece.

Ficamos nesse meio-termo maldito.
Nesse “quase” que arranha a pele e despedaça o peito.
Nesse lugar onde se espera tudo de alguém que não pode (ou não quer) dar nada.

Somos muito mais do que amigos, disso eu sei.
Mas também somos muito menos do que amor.
E, talvez, o pior lugar pra se estar…
é exatamente esse meio.

Onde a gente ama calado e sofre em silêncio.
Onde se constrói tudo, mas se vive nada.
Onde o coração se apega, mas o outro já partiu faz tempo.

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