Peguei a estrada com o coração apertado e a cabeça cheia.
Mas ele estava lá.
Na tela do celular.
Naquela foto que guardei como segredo
Meu talismã em dias nublados.
O mesmo sorriso de sempre.
O mesmo olhar que, mesmo em pixels, parece me atravessar e me ver.
Não como colega, não como sombra.
Mas como alguém que ele enxerga, ou pelo menos é assim que eu gosto de acreditar.
Enquanto dirigia, meus olhos escapavam pra tela.
Breves olhares.
Só pra ter certeza de que ainda estava lá.
De que ainda existia algo entre o que eu sinto e o que o mundo não vê.
Aquela foto me aqueceu por dentro.
Como se ele estivesse ali, sentado ao meu lado, dizendo tudo o que nunca disse.
Como se aquele sorriso fosse só meu, mesmo que não seja.
Foi só uma foto.
Mas naquele instante, foi abrigo.
