O Último Dia

Eu sei que vai chegar, falta tão pouco

O dia que eu tanto temi e que mesmo assim contei nos dedos pra ter mais uma chance de te ver.
Será a última vez.
A última de verdade.

Você vai entrar pela porta como sempre fez.
O mesmo sorriso no rosto, o mesmo jeito distraído de quem nem imagina o furacão que carrega dentro de mim.
E eu vou estar ali, tentando parecer inteira.
Tentando não deixar escapar o abismo que se abriu dentro do meu peito.

Conversaremos.
Vamos rir como sempre fizemos
E talvez venham outros abraços, até.
Mas tudo estará diferente.
Ou talvez será só eu tentando congelar cada segundo.
Tentando guardar no olhar o contorno do seu rosto, no corpo o peso dos seus abraços, no coração…
Ah, no coração…
O gosto amargo do nunca mais.

Você vai se despedir como sempre.
Com um abraço. Forte.
Ficarei ali por mais um instante, com o rosto escondido no teu peito, torcendo pra que você sinta o quanto eu queria ficar.

Mas sei que não vou dizer nada.
Não falarei da dor.
Nem do amor.
Só te olhar. E deixar você ir.

Ver seus passos se afastando até desaparecerem no corredor.
E só quando a porta se fechar atrás de você, é que o mundo irá desabar.
Será ali, naquele exato segundo, que eu terei o coração quebrado de verdade.

Você vai.
E com você vai a esperança, a ilusão, o beijo, os abraços que silenciavam o barulho da minha mente, o nós que nunca existiu.
Ficará só o silêncio e o vazio que tem o seu nome.

Mas mesmo assim, mesmo sendo o fim, mesmo com os olhos inchados e o peito esmagado…
Obrigada.

Por ter sido amor, mesmo que só pra mim.
Por ter me feito sentir viva, mesmo que me mate agora.
Por ter sido o meu menino, mesmo que por pouco tempo.

Agora eu preciso aprender a te deixar ir.
Mesmo sem saber como fazer isso.

Adeus, amor da minha vida.
Adeus.

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