Eu sou a Torre.
Alta, exposta, firme, mesmo quando o vento é forte.
Sou feita pra ver longe, pra guardar, pra proteger.
Mas você… você é uma muralha.
Grossa, fechada, desenhada pra manter longe o que poderia te tocar.
Eu já bati na tua porta tantas vezes…
Às vezes com força, às vezes com cuidado,
às vezes só encostei a mão esperando que, do outro lado,
você sentisse minha presença.
No dia que te beijei, pensei que a ponte tinha baixado.
Mas no dia seguinte, você ergueu mais pedras,
como se meu toque tivesse sido um perigo
e não um abrigo.
Mesmo assim, eu fico.
Fico na beira, olhando pro alto,
imaginando quando você vai me chamar.
Eu não quero derrubar teu muro
eu só quero que você me abra um portão.
Porque, mesmo que nunca mais diga,
eu sei que existe um pedaço seu
que já se esconde aqui,
dentro da minha Torre.
