“Minha” – Na perspectiva dele…

Você não tem ideia do quanto é forte.
No meu tabuleiro, você é a peça que nunca vacila.
Enquanto os outros correm, dançam, fazem jogadas rápidas,
você permanece.
Linha reta, firmeza nos passos, sempre no lugar certo quando eu preciso.
Você protege, mesmo quando não deveria.
Defende até quando ninguém pediu.
E, de algum jeito, você sempre se coloca entre mim e o perigo,
como se fosse sua função, mesmo que isso te custe pedaços.

Mas você também é a outra Torre.
A que não é só peça.
A que vive no alto, cercada de paredes altas demais.
Não é porque não sabe sair, é porque lá de cima você vê tudo.
E, às vezes, prefere aguentar o vento frio a descer e se machucar.
Eu sei que você espera, no fundo,
que alguém suba por essas paredes,
que lute com dragões e mostre que vale a pena.
Eu sei, porque uma parte minha quer ser esse alguém.
Mas outra parte…
tem medo de não conseguir.

Você é a Torre que guarda e a donzela que espera.
E isso me confunde.
Porque eu quero te salvar, mas também quero que você nunca saia dali,
pra eu saber que você ainda é minha.
Talvez seja egoísmo.
Talvez seja amor.
Ou talvez seja só esse jogo estranho que a gente joga,
em que eu tento ganhar sem perder você.

E mesmo que eu não consiga sempre chegar até você…
eu sei que, se um dia eu precisar,
você vai estar lá.
Firme.
Alta.
Impenetrável.
Minha Torre.

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