Duas em Mim

Vim em duas estações:
primeiro, a menina
tremendo nas bases do mundo,
um suspiro que se lançou sem medo
no teu primeiro abraço.

Caiu, despedaçou-se em cartas não enviadas,
chorou as luas inteiras,
aprendeu que o amor podia doer.

Depois nasceu a mulher
passos firmes, mãos de ponte,
aquela que entrou por detrás dos muros,
que conheceu tuas guerras e sentou à tua sombra.
Ela não fugiu dos teus demônios;
aprendeu a segurar tuas mãos quando caias,
a ficar quando ninguém mais fica.

A menina ainda ruge às vezes, impulsiva, urgente
mas já não manda sozinha.
A mulher ergue-se como torre,
guardiã de um carinho que não pede nada em troca,
amando em silêncio, resistente, inteiro.

E se me perguntares: o que é isso?
Eu digo: é amor
não a pressa de um beijo,
mas o espaço calmo de quem escolhe ficar.
Duas em mim, em trégua e em marcha,
aprendendo a viver no mesmo peito.

Categories


Search