Enlouqueci.
Depois de tanto tempo, tantos anos,
retornei ao pávido e terrível estado mental.
Nada faz sentido
o mundo nunca me pertenceu,
sou apenas alma errante pelas ruas,
vagando entre milhões de pensamentos desconexos,
onde nada se encontra.
Carcaça moldada pelo tempo,
por fora um sorriso ensaiado,
por dentro um abismo
onde a insanidade cava morada e consome.
O desejo de fugir é iminente.
Não para um lugar
mas de mim mesma.
Fugir dessa loucura sem saída.
E nessa estrada,
ah, nessa estrada,
não há placas de retorno.
Acelero:
80… 100… 120… 140 km/h.
Na tentativa de correr mais rápido
do que meus pensamentos,
mas eles me alcançam,
gritam alto:
“Pare.”
E então
um estrondo.
Um ponto final.
Silêncio.
Acaba a história.
