Saí da casa dele com o coração pesado.
A rua estava silenciosa, o vento frio da noite me acertava o rosto como quem tenta acordar alguém de um sonho ruim.
Mas eu já estava desperta demais.
Cada passo que eu dava parecia carregar o peso de tudo o que eu senti ali dentro, o medo, o alívio, a raiva, o amor.
Tudo junto, embolado, sem começo e sem fim.
Entrei no carro e fiquei um tempo parada, olhando pro nada.
As mãos ainda tremiam.
Na mente, o som da voz dele ecoava, aquele tom calmo, meio distante, como se nada tivesse acontecido, como se meu desespero fosse só um detalhe.
E talvez pra ele fosse mesmo.
Mas pra mim, foi o mundo desabando e voltando a se reconstruir em segundos.
Naquele momento, percebi que amar alguém que vive entre o caos e o silêncio é como tentar abraçar fumaça, você se esforça, se entrega, e ainda assim acaba com as mãos vazias.
E eu estava exausta.
Exausta de correr atrás, de ser abrigo, de inventar motivos pra continuar acreditando que em algum lugar dentro dele ainda existe espaço pra mim.
Mas o pior de tudo é que, mesmo sabendo de tudo isso, eu sei que se ele me ligar amanhã, eu vou atender.
E se ele pedir pra eu ir, eu vou.
Porque amar alguém assim é um tipo de vício, uma febre que a gente sabe que faz mal, mas ainda assim não consegue se curar.
Cheguei em casa, sentei no sofá, o meu sofá e chorei em silêncio.
Não por ele, mas por mim.
Por tudo que eu insisto em sentir, por tudo que eu merecia e ainda não tive coragem de exigir.
E ali, entre o som do meu próprio choro e o vazio da sala, eu fiz um pedido simples:
Que um dia eu consiga voltar pra mim, com a mesma intensidade que sempre volto pra ele.
