Sou eu que estou contigo no dia a dia
nas horas ruins, quando o mundo te pesa nos ombros
e a vida parece te arrastar pra baixo.
Sou eu quem tenta segurar junto,
ou às vezes carregar tudo por você.
São meus os ouvidos que te escutam
quando você fala das suas dores, das tuas lutas,
ou quando despeja em mim a raiva que o mundo te provoca.
Como se o que eu sentisse fosse culpa.
Como se o meu erro fosse simplesmente existir.
Eu não sou a escolhida,
não pra o amor, nem pra o desejo.
Pra isso, você sempre escolhe outra.
Mas sou eu quem fica quando todas as outras vão embora,
como se de alguma forma eu fizesse parte de algo
que você nunca admite, mas também nunca solta.
Você me chama de amiga, de irmã,
me reduz a um papel seguro, inofensivo,
enquanto o meu corpo te busca e a minha mente se esgota,
cada vez mais cansada de tentar caber
num espaço que nunca foi realmente meu.
Sou aquela que, quando chega perto demais,
você expulsa,
não só da sua casa de paredes,
mas também da casa de muros altos que existe dentro de você,
aquela que eu insisto em tentar habitar
mesmo sabendo que as portas nunca estiveram abertas pra mim.
Tão perto do toque,
onde às vezes até você se perde,
mas nunca assume.
Prefere me chamar de louca, obcecada,
pra não ter que admitir que também sentiu algo.
Tão perto do quase,
e tão longe do tudo.
Tão perto de Ti,
e a cada dia mais longe de mim mesma.
Corro pra você,
você corre de mim,
e o tempo corre da gente.
E nessa corrida,
a gente perde o que poderia ter sido.
Sou a alma que tenta, que insiste, que cuida.
Mas que é sempre resumida
à única coisa que falta.
E essa falta…
essa falta é o que mais me destrói.
Porque no fundo eu sei:
nada nunca vai acontecer.
Não porque não poderia,
mas porque você não quer.
