Num instante de loucura me esqueço do que sou e me entrego.
Navego no movimento de teus lábios e no som da sua voz, que me faz estremecer, mergulho sem medo de afundar.
Teus olhares me guiam tal como um farol de extrema luz me mostrando a direção e sem medo eu me jogo ao mar em sua direção.
Você me diz que eu posso ir, me convida a navegar e me dá a ilusão de ser real, de ser normal e eu ingênua ou louca, acredito.
Seus olhos me fuzilam, seu sorriso me confunde e me leva ao delírio e nos seus lábios eu me jogo, seu beijo fez meu corpo incendiar num arrepio frio e por um momento desejei ser somente sua.
Você me pressiona contra a parede, olhando no fundo dos meus olhos como se lesse toda minha alma, como se me tomasse pra si e me desejasse também, mas todo sonho lindo chega ao fim, era o momento de acordar.
Seus olhos, quentes e iluminados como um farol, se apagaram ali. Eu estava indefesa, acuada como uma presa nas mãos do predador, espremida contra a parede enquanto suas mãos me apertavam o pescoço, procurando por algo, como se me examinasse a procura de algo pra me destruir e você encontrou.
Encontrando o que buscava, fez com que despertasse dentro de mim a figura de um monstro, uma aberração qualquer que te fizesse recuar. Teus olhos me fuzilaram de novo, mas dessa vez já não havia mais luz, era como se eu tivesse uma arma apontada pra mim que me indagava o porquê de eu ser assim.
Senti nojo de mim e só de escrever sinto o estômago revirar, dói por dentro, como se o monstro horrível de ser quem sou rasgasse meu corpo pra se libertar, pra de novo assumir o controle de tudo, eu não queria ser assim, ah eu juro que não pedi pra ser assim, queria apenas ser normal.
Queria não precisar passar por isso de novo, queria não mais me sentir assim, mas você me destruiu, como que intencionalmente e eu não consigo entender o que eu fiz pra você, o que eu fiz pra que isso acontecesse assim.
