O silêncio que me resta

A mim restou apenas o silêncio.
O eco mudo da tua ausência, a falta da tua voz que, quando chegava, mesmo sem dizer nada de importante, tinha o dom de acalmar a tempestade que habita meu peito.

Agora não há mensagens. Não há ligações.
Só o vácuo. Só o escuro.
O mundo inteiro parece ter parado naquele instante em que você escolheu não mais olhar pra mim.

E eu aqui, ainda tentando decifrar os sinais nos teus olhos, aqueles olhos que já me disseram mais do que teus lábios jamais ousaram pronunciar.
Havia amor ali?
Desejo?
Ou era só reflexo do que transbordava de mim?

Você se calou. E o teu silêncio me grita.
Grita tão alto que ensurdece minha esperança.
Quebram-se as lembranças como vidro no chão.

E eu, ajoelhada entre os cacos, tento entender onde foi que me perdi de você
Ou de mim.

A mim restou o silêncio.
E dentro dele, uma pergunta que não cessa:
Será que algum dia fui algo pra você, ou fui só eco do que criei sozinha?

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