Amanhecer de Espera

O dia amanheceu em silêncio.
Nenhum bom dia, só o eco da preocupação que habita em mim toda vez que ele desaparece.
Talvez esteja apagado no sofá de novo, como tantas outras vezes.
Ele disse que ia beber só um pouco, mas o pouco dele costuma ser mais do que deveria.

E eu me preocupo.
Com ele, com o que isso faz com o corpo, com a mente, com a vida.
Me preocupo porque sei que existe uma cama esperando ele e que nunca é ocupada,
e o sofá já parece mais abrigo do que lugar de descanso.

Ah, se eu pudesse estar lá.
Se eu pudesse levar uma coberta, um café quente, um carinho no cabelo e dizer:
“Vai ficar tudo bem, dorme na cama hoje. Dorme comigo, só por um instante de paz.”
Mas não posso.

Mesmo assim, hoje não estou triste.
Porque ontem ele me ligou.
O meu menino.
Do outro lado da linha, só porque quis jogar conversa fora comigo, só porque quis dividir o dia.
E isso, pra mim, foi tudo.

Momentos de céu depois de dias de tempestade.

Agora, espero que ele acorde bem.
Que não esteja com dor de cabeça, que coma alguma coisa, que respire fundo e se levante.
Porque amanhã é dia de vê-lo.
E eu quero ele inteiro, inteiro pra ele, inteiro pro mundo.
Mas, egoísta que sou, quero ele inteiro pra mim também.
Pro meu abraço,
pro meu olhar que o procura mesmo em silêncio,
pra essa vontade de dizer tudo sem dizer nada.

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