Tão ambíguo é o que temos,
um quase-amor escondido nas frestas,
um abraço que promete eternidade
mas se desfaz no instante seguinte.
Cheio de duplos sentidos,
palavras que brincam com a esperança,
olhares que me elevam ao céu
e depois me jogam no chão do silêncio.
Você me chama e me afasta,
me prende e me solta,
me dá migalhas de um paraíso
e castigos de um deserto sem fim.
E eu, perdida em você,
me entrego mesmo sem poder,
construo castelos que nunca habitarei,
planto flores em jardins onde não posso entrar.
Tão ambíguo é o que temos…
tão claro no meu peito,
tão nítido em seus olhos,
tão negado nos seus lábios.
E ainda assim, eu fico
por amor, por dor, por ódio,
por tudo que nunca seremos.
Tão ambíguo quanto o que “temos”…
Cheio de duplos sentidos que não fazem sentido algum…
