Serei sempre a escuta.
Sempre a amiga.
Aquela a quem você corre pra contar sobre todas as mulheres que passaram,
enquanto eu, em silêncio, sonho que talvez um dia eu pudesse ser uma delas.
Que um dia eu pudesse ter de você o que elas tiveram.
Mas não.
Isso nunca acontece.
A minha sina é te ouvir, te aconselhar,
te guiar sobre como reagir a elas, como escolhê-las,
às vezes até apontar qual será a da vez.
Tudo isso enquanto meu coração sangra,
implorando baixinho pra que, dessa vez, fosse eu.
E não é.
Nunca sou.
Sempre à margem, sempre sua sombra,
sempre resolvendo tudo, sempre por perto, sempre disponível.
Mas nunca a escolha certa. Nunca sequer uma opção.
Sou a que quebra os galhos,
a que está ali em todas as horas,
mas nunca recebe o olhar que deseja.
Sou apenas a amiga, a confidente.
E isso dói.
Dói porque eu só queria, pelo menos uma vez,
ser escolhida por você.
Você me disse, esses dias, que daria qualquer coisa
pra ter mais alguns minutos ao lado dela.
E eu?
Estou aqui, dando tudo, fazendo o mesmo por você.
Você me disse que daria a própria vida pela vida dela.
E aqui estou eu, largando a minha
pra viver por você , sem nunca receber nada em troca.
Quando é você quem precisa, eu estou.
Sempre.
Quando sou eu quem precisa, eu recebo o vazio.
A ausência.
Hoje te falei algo que, no fundo, eu mesma precisava escutar:
Você está dando tudo e fazendo de tudo
por alguém que não quer estar com você.
E é exatamente aqui que eu também estou.
No mesmo lugar que você.
Nós dois, lado a lado,
perdidos onde ninguém se encontra.
Você, procurando por ela.
E eu, sempre esperando por você.
