Estou aqui sentada, no mesmo lugar de sempre, cercada pelo silêncio que grita, com o peito rasgado e os olhos marejando pela milésima vez.
Na mão, aquele maldito pedaço de pano que carrega o cheiro dele. No celular, o sorriso que me desmonta e que me lembra tudo que eu queria esquecer.
Hoje tá difícil.
Hoje parece que não vai dar.
Eu tenho que funcionar, sorrir, fingir que está tudo bem… mas por dentro eu tô gritando.
Gritando por um abraço, por um olhar de verdade, por um afeto que não me machuque.
E o pior é que eu tô com raiva de mim.
De continuar sentindo.
De continuar querendo.
De continuar esperando por alguém que nunca me quis como eu quis.
Por alguém que olha pra mim, mas não me vê.
Eu me odeio por amar desse jeito.
Por não conseguir cortar esse laço que só existe de um lado.
Por continuar alimentando uma chama sozinha, enquanto ele nem percebe que eu tô me queimando inteira pra manter aceso o que já devia ter virado cinza.
Mas eu preciso soltar.
Preciso colocar pra fora antes que isso me afogue de vez.
Porque eu tô cansada de chorar escondida, de sufocar minha dor em silêncio, de fingir que sou forte quando tudo em mim só quer cair.
Eu só queria paz.
Só queria parar de sentir como se o amor tivesse me escolhido pra ser castigo.
Só queria me libertar disso tudo.
E voltar a ser eu. Inteira. Viva. Leve.
Mas hoje… hoje ainda dói.
E tá tudo bem doer.
Eu só precisava dizer.
