Eu, covarde…

Covardia é estender a mão pedindo o teu amor
quando ainda tremo diante dos meus próprios abismos.

E se você dissesse “sim”?
O que eu faria com esse milagre entre os dedos?
Como poderia ser inteira
quando tantas vezes ainda me sinto em pedaços?

Covardia é chamar teu coração para perto
e não saber se consigo ser colo,
se consigo ser porto.
É o medo de, sem querer,
ser mais uma ferida em tua pele cansada de batalhas.

E no entanto, mesmo com o medo,
teu nome pulsa em mim como reza,
teu rosto insiste em habitar meus sonhos,
tua presença arde como promessa.

Talvez a covardia não seja querer-te,
mas duvidar de que eu possa ser suficiente.
Porque o amor que sinto por ti não é dúvida,
é só o meu próprio reflexo que ainda se esconde.

E ainda assim, se vieres,
talvez descubras que até nos meus pedaços
eu te amaria inteiro.

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