Hoje, voltei pra casa com os olhos pesados de água
e o peito leve… de vazio.
Levei flores de expectativas para plantar no seu jardim,
mas encontrei muros tão altos que até o sol hesitou em passar.
Você falou pouco, como quem mede as palavras com medo de gastar.
E eu, do lado de cá, me perguntei se ainda sou algo no seu tabuleiro
ou se já fui empurrada para o canto,
como uma torre esquecida, esperando o xeque-mate que nunca vem.
Talvez você nem perceba, mas
há dias em que eu só queria que o mundo sumisse,
pra sobrar só nós dois,
o meu abraço de abrigo e o seu silêncio,
Mas aquele silêncio bom, que mora entre quem se ama.
Hoje, vou dormir abraçada ao travesseiro,
fingindo que ele tem o seu cheiro,
e sonhar…
porque nos meus sonhos,
você não constrói muros.
