Hoje, depois de tudo,
eu segurei tua mão.
E por um instante o mundo parou,
como se quisesse me dar a ilusão
de que era possível te ter.
Ontem tuas palavras me despedaçaram,
mas hoje o simples toque da tua pele na minha
foi capaz de colar meus cacos
só pelo privilégio de estar tão perto de ti.
É loucura, eu sei,
mas cada mínimo gesto teu
se transforma em universo dentro de mim.
Senti meu coração pular no peito,
não pelo que eu tinha,
mas pelo que eu sonhei naquele momento.
Era como se o amor da minha vida estivesse, enfim, ali
ao alcance dos meus dedos,
respirando perto, deixando-se tocar,
mesmo que a realidade dissesse o contrário.
Eu sei que não estávamos juntos de verdade.
Sei que teu olhar busca outra direção,
que teu coração insiste em outro nome,
que tuas palavras negam o que meus olhos leem no teu silêncio.
Mas naquele instante,
naquele breve instante,
parecia que eu era suficiente.
E foi isso que me fez doer e sorrir ao mesmo tempo.
Doer, por saber que é fugaz,
que é sombra do que nunca será.
Sorrir, porque mesmo sendo sombra,
eu ainda tive a chance de existir contigo,
nem que fosse como um reflexo,
nem que fosse como um segredo
guardado na ponta dos meus dedos.
Eu estive tão perto,
te dei tanto carinho,
me perdi em cada detalhe teu,
e mesmo na dor mais funda,
meu coração pulava, grato,
só por poder te tocar.
