O peso de ter o mundo nas mãos

É uma solidão peculiar e cruel aquela que nos encontra quando, ironicamente, estamos acompanhados.
Não se trata dos nomes que passaram pela minha vida, dos que vieram, sorriram e, eventualmente, desataram os nós. Trata-se de mim.
Porque, no fim das contas, a constante em todas essas equações incompletas fui eu: a pessoa que sempre insistiu um pouco a mais, que esticou a corda até arrebentar, tentando fazer ficar quem já demonstrava, em cada pequeno gesto de ausência, a vontade de partir.

Dizem que a sabedoria moderna está em “apenas curtir o momento”, mas essa é uma cartilha que eu nunca aprendi a ler.
Para mim, o afeto nunca foi um lugar de passagem ou uma sala de espera.
Entrar em uma relação sempre foi um ato de fundação. Bater a primeira estaca, planejar os cômodos.
Se eu abro as portas da minha vida, da minha intimidade e do meu mundo para alguém, é porque trago na mente o desejo de um futuro.
Espero, minimamente, que o outro arregace as mangas comigo.
Que possamos erguer algo concreto, algo que cresça, que tenha teto e propósito.
Não há erro algum em querer profundidade quando se tem um oceano para oferecer.

O problema de ser quem sempre constrói é a exaustão que se acumula nos ombros.
Sou aquela que puxa, que tenta, que se doa e se entrega.
Aquela que tenta fazer o motor funcionar quando o outro já abandonou o volante.
E nessa insistência de quem acredita demais no “nós”, a doação se torna um sacrifício unilateral.

Então, o fim inevitavelmente chega, e ele sempre chega.
A consequência de ser aquela que entrega o próprio mundo para que a relação funcione é silenciosa e implacável.
O outro parte. Cruza a porta e leva consigo partes de mim, indo embora com a leveza de quem nunca se comprometeu com o peso da estrutura.

E eu? Eu fico parada no meio daquilo que tentei construir.
Fico ali, sozinha, com o mundo inteiro nas mãos. Um mundo vasto, pesado, transbordando de afeto não ancorado, sem saber o que fazer com tudo aquilo que sobrou.
O outro segue em frente de mãos vazias, e eu fico segurando o peso de um universo que projetei para dois, tentando entender como reconstruir a mim mesma a partir dos escombros de mais uma partida.

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