• Carta para aquela que vir depois de mim

    Cuida bem dele…
    Ele é e sempre será o amor da minha vida.

    Haverá dias em que ele vai se perder em silêncios,
    em que a tristeza vai pesar nos ombros dele,
    mas mesmo assim, se você olhar com carinho,
    vai encontrar no meio das sombras
    a melhor pessoa do mundo.

    Cuida dele,
    porque serão seus os olhares profundos
    que parecem atravessar a alma,
    lendo segredos que nem você ousou confessar.

    Cuida dele,
    porque será em você que vai nascer
    o sorriso mais lindo que eu já vi,
    o mesmo sorriso que, em mim,
    foi sonho e refúgio.

    Talvez você não conheça os muros
    que ergueu entre ele e eu,
    talvez ele se entregue inteiro a você
    da forma que eu tanto esperei
    mas nunca pude viver.

    Cuida dele…
    porque, por trás da força,
    ele é só um menino querendo colo,
    pedindo para ser visto,
    ansiando por um cuidado
    que nunca teve de verdade.

    Cuida bem dele.
    Ele é o amor da minha vida,
    e já não é mais a mim
    que cabe cuidar.

  • O Espelho Quebrado

    Entre nós existe um espelho,
    mas ele está partido.

    De um lado, eu
    te olhando com olhos cheios,
    com o peito aberto,
    com a alma inteira estendida em tuas mãos.

    Do outro, você
    olhando além do vidro rachado,
    procurando nas frestas
    um reflexo que já não te olha de volta.

    E assim ficamos:
    eu me ferindo nos cacos
    na esperança de que um dia
    seus olhos se desviem do passado
    e encontrem os meus.

    Mas você só vê a sombra dela,
    enquanto eu continuo sendo
    a presença que sangra em silêncio.

    E no fim, esse espelho quebrado
    só me devolve a verdade que dói:
    eu te olho como você nunca me olha,
    e você olha pra ela
    como eu sempre quis que olhasse pra mim.

  • Dois idiotas…

    Na real, somos dois idiotas.
    Você aí, se machucando por ela.
    Eu aqui, me machucando por você.
    Dois corações vivendo em mundos irreais,
    alimentando amores que não têm espaço pra existir,
    por pessoas que nunca quiseram estar de verdade ao nosso lado.

    Você se mantém disponível pra ela,
    ouvindo palavras que te ferem,
    na esperança de reconstruir algo
    que, se fosse pra ser, já estaria de pé.

    Enquanto isso, eu sigo aos teus pés,
    quase implorando por um pouco do teu tempo,
    por um fragmento da tua atenção,
    mesmo sabendo que tudo tem prazo pra acabar.

    E assim seguimos:
    um do lado do outro,
    eu olhando pra você,
    você olhando pra ela,
    e no fim, ninguém se enxerga de verdade.

    Era só virar o rosto,
    ver quem ainda está aqui.
    Mas falar é mais fácil do que sentir,
    e no final dessa história
    todo mundo acaba sozinho e vazio.

    O tempo passa.
    A gente se perde.
    E nada se vive.
    Sempre à sombra do que não existe,
    reféns do vazio que nos resta agora.

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