Sou Torre, erguida no silêncio,
vigiando o horizonte que é teu.
De mim, brota o farol que acende
os becos escuros da tua alma cansada.
Mas tu, menino de muros altos,
trazes tijolos no bolso,
e cada vez que me aproximo,
ergues mais um pedaço da tua fortaleza.
Eu estendo minhas janelas,
abro portas, derrubo ferros,
grito teu nome na madrugada,
mas o eco morre antes de te alcançar.
E ainda assim,
permaneço.
Porque mesmo que tua muralha seja alta,
eu sei que por trás dela
há um coração que, um dia,
pode querer morar na minha Torre.
