• No alcance dos meus dedos, distante do coração.

    Hoje, depois de tudo,
    eu segurei tua mão.
    E por um instante o mundo parou,
    como se quisesse me dar a ilusão
    de que era possível te ter.

    Ontem tuas palavras me despedaçaram,
    mas hoje o simples toque da tua pele na minha
    foi capaz de colar meus cacos
    só pelo privilégio de estar tão perto de ti.
    É loucura, eu sei,
    mas cada mínimo gesto teu
    se transforma em universo dentro de mim.

    Senti meu coração pular no peito,
    não pelo que eu tinha,
    mas pelo que eu sonhei naquele momento.
    Era como se o amor da minha vida estivesse, enfim, ali
    ao alcance dos meus dedos,
    respirando perto, deixando-se tocar,
    mesmo que a realidade dissesse o contrário.

    Eu sei que não estávamos juntos de verdade.
    Sei que teu olhar busca outra direção,
    que teu coração insiste em outro nome,
    que tuas palavras negam o que meus olhos leem no teu silêncio.
    Mas naquele instante,
    naquele breve instante,
    parecia que eu era suficiente.

    E foi isso que me fez doer e sorrir ao mesmo tempo.
    Doer, por saber que é fugaz,
    que é sombra do que nunca será.
    Sorrir, porque mesmo sendo sombra,
    eu ainda tive a chance de existir contigo,
    nem que fosse como um reflexo,
    nem que fosse como um segredo
    guardado na ponta dos meus dedos.

    Eu estive tão perto,
    te dei tanto carinho,
    me perdi em cada detalhe teu,
    e mesmo na dor mais funda,
    meu coração pulava, grato,
    só por poder te tocar.

  • Amiga…

    Serei sempre a escuta.
    Sempre a amiga.
    Aquela a quem você corre pra contar sobre todas as mulheres que passaram,
    enquanto eu, em silêncio, sonho que talvez um dia eu pudesse ser uma delas.
    Que um dia eu pudesse ter de você o que elas tiveram.

    Mas não.
    Isso nunca acontece.
    A minha sina é te ouvir, te aconselhar,
    te guiar sobre como reagir a elas, como escolhê-las,
    às vezes até apontar qual será a da vez.
    Tudo isso enquanto meu coração sangra,
    implorando baixinho pra que, dessa vez, fosse eu.

    E não é.
    Nunca sou.
    Sempre à margem, sempre sua sombra,
    sempre resolvendo tudo, sempre por perto, sempre disponível.
    Mas nunca a escolha certa. Nunca sequer uma opção.

    Sou a que quebra os galhos,
    a que está ali em todas as horas,
    mas nunca recebe o olhar que deseja.
    Sou apenas a amiga, a confidente.
    E isso dói.
    Dói porque eu só queria, pelo menos uma vez,
    ser escolhida por você.

    Você me disse, esses dias, que daria qualquer coisa
    pra ter mais alguns minutos ao lado dela.
    E eu?
    Estou aqui, dando tudo, fazendo o mesmo por você.
    Você me disse que daria a própria vida pela vida dela.
    E aqui estou eu, largando a minha
    pra viver por você , sem nunca receber nada em troca.

    Quando é você quem precisa, eu estou.
    Sempre.
    Quando sou eu quem precisa, eu recebo o vazio.
    A ausência.

    Hoje te falei algo que, no fundo, eu mesma precisava escutar:
    Você está dando tudo e fazendo de tudo
    por alguém que não quer estar com você.

    E é exatamente aqui que eu também estou.
    No mesmo lugar que você.
    Nós dois, lado a lado,
    perdidos onde ninguém se encontra.
    Você, procurando por ela.
    E eu, sempre esperando por você.

  • Eu, covarde…

    Covardia é estender a mão pedindo o teu amor
    quando ainda tremo diante dos meus próprios abismos.

    E se você dissesse “sim”?
    O que eu faria com esse milagre entre os dedos?
    Como poderia ser inteira
    quando tantas vezes ainda me sinto em pedaços?

    Covardia é chamar teu coração para perto
    e não saber se consigo ser colo,
    se consigo ser porto.
    É o medo de, sem querer,
    ser mais uma ferida em tua pele cansada de batalhas.

    E no entanto, mesmo com o medo,
    teu nome pulsa em mim como reza,
    teu rosto insiste em habitar meus sonhos,
    tua presença arde como promessa.

    Talvez a covardia não seja querer-te,
    mas duvidar de que eu possa ser suficiente.
    Porque o amor que sinto por ti não é dúvida,
    é só o meu próprio reflexo que ainda se esconde.

    E ainda assim, se vieres,
    talvez descubras que até nos meus pedaços
    eu te amaria inteiro.

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