• Relacionamento Abusivo

    Um tapa na cara e senti o rosto arder

    Via em sua face uma feição assustadora

    como um monstro que nunca havia visto

    em meu semblante o medo dominava

    Eu estava indefesa, no chão, sem saber o porque apanhava.

    Aquele a quem eu entregara minha vida, agora a colocava em risco

    Será que eu merecia morrer pelas mãos que um dia juraram me proteger?

     Um pedido de desculpas,

    “Nunca mais vou fazer isto”, ele disse

    e eu, cegamente apaixonada, acreditei

    “Ele vai mudar, foi só uma crise, ele não faria isso de novo”

    Ilusão,

    outro copo de bebida, outra briga sem motivos

    dessa vez um soco forte no peito e me vi sem chão

    Porque isso acontecia novamente?

    “Eu sou um monstro, tenho que mudar”

    Eu tola, novamente acreditei

    O que eu podia fazer, pensava, eu o amava

    Eu tinha que ficar ao lado dele, era o que muitos me diziam

    e ali fiquei…

    Outro dia, outros goles

    E novamente estava ali caida

    dessa vez foi pior, foi mais forte

    a cada chute que eu levava na cabeça

    via flashs acenderem na mente

    achei que iria morrer

    Como podia me defender?

    Eu estava machucada

    mais por dentro do que por fora

    coração despedaçado

    mente em panico

    o amor que um dia eu senti se transformara em um pesadelo sem fim

    Eu me via presa aquela situação

    Presa aquele circulo vicioso de apanha e perdoa

    não tinha mais forças pra sair

    tinha medo de ir embora

    medo de que o pior acontesse se o fizesse

    e fui ficando.

    Me vi por tantas vezes sozinha

    sem poder pedir ajuda

    pq o monstro era ardiloso

    ele se mostrava a melhor pessoa para os outros

    mas comigo era cada dia pior

    cada noite mais longa e de sofrimento sem fim

    Um dia, num ato de coragem

    enfrentei o monstro, pensei que conseguiria

    Eu tola, em suas mãos vi a vida que sonhei se envaindo

    Vi o brilho de meus olhos se apagando

    levando comigo todos os sonhos

    E morri

    Morri da pior forma,

    Por fora continuava viva, mas por dentro implorava pela morte

    Criei coragem, rompi o ciclo, fui embora,

    mas parecia tarde demais pra mim

    o monstro acabara com minha vontade de viver

    deixou em mim traumas que jamais superarei

    medo de pensar no futuro,

    Medo de existir

    E de viver…

  • Nos braços da Morte

    Lava-me numa poça de sangue

    Como alma sedenta por vingar a existência de seu corpo frio

    Que por um tiro à queima roupa

    Jaz no gélido chão de uma sala escura.

    Escura como as sombras de dentro de mim

    Que por anos atormentaram minha mente

    Como vozes que gritavam incessantemente a meu ouvido

    Me mandando nesta vida maldita por um fim.

    Maldita existência esta minha

    Que agora se finda em uma tragédia

    Como obra de arte mórbida pintada com sangue

    Deste corpo seco já sem vida

    Pintura fúnebre de minha história

    de uma alma que há muito já havia partido

    Deixando apenas este invólucro vazio

    com um tiro na cabeça silenciando minha mente infernal.

    A ti amiga morte eu me entrego

    Implorando que me leves desse mundo

    Desejando que meus olhos nunca voltem

    A olhar para as tristezas que passei

    Lave minha alma neste sangue

    E a ti minha alma entregarei

    Para que me leves tão distante

    Para um tempo de onde nunca voltarei

  • Recaída

    A mente volta a pirar

    Pensamento corre solto, longe

    Perdido num oceano de paranóias intermináveis

    É como se vivesse em um eterno looping

    Vivendo e revivendo a mesma dor

    Envolta de sombras me encontro

    como se o passado me abraçasse novamente e me prendesse

    Puxando-me para baixo, para o fundo do poço do meu ser.

    Oh velha amiga depressão por favor não me atenha de novo

    novamente não suportaria lhe ter

    A sensação de estar a beira do precipício me assombra

    A dor do peito me assola e não me deixa viver.

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