• Carência

    Sozinha na cama ela contraia seu corpo

    Sentia como se seu peito rompesse em mil pedaços

    A solidão a abraçava como uma amiga de anos

    Sua vida era um imenso vazio, um buraco sem fim.

    Seu semblante era de alguém cuja a vida muito maltratou

    Sentia falta de um abraço, de se sentir desejada

    A carência dominava sua mente

    Ela só queria um pouco de atenção.

    Desacreditara de tudo,

    Que deus era esse que lhe apresentara a felicidade

    só pelo prazer de tirar tudo dela

    mais uma vez, como sempre acontecia

  • Solidão

    Sozinha em casa ela observava seu reflexo no espelho

    Havia muito tempo que não conseguia fazer isso

    Ali ela encarou sua sombra

    A solidão pesava em seu semblante.

    Sentia-se vazia, mas buscava se encher de novo, se completar.

    Buscava algo que a transbordasse

    que a fizesse entender o porquê de tudo aquilo

    Sentia que era chegada sua hora, sua vez, seu momento de se sentir plena,

    mas quanto mais buscava esse objetivo, mais distante dele se via, mais sozinha se encontrava, mais sentia o peso dos seus dias forçando-a para baixo.

    O silêncio da solidão fazia um barulho imenso em sua mente, por fora a quietude, mas por dentro gritos desesperados que imploram para que algo enfim aconteça, para que alguém a resgate de si, do seu castigo, do seu karma.

    Será que sua sina era viver só?

    Estaria destinada a ser vista apenas como o caminho e nunca como o destino na vida de alguém?
    Estava cansada de ver todos passarem pela vida dela, de viver breves momentos de alegria, que a traziam sonhos bons, desejos, perspectivas, para depois ser deixada sempre de lado, com a solidão, quase que como uma amiga inseparável, quase que como sua sombra, refletida no espelho, mostrando que ela não pode ser feliz no amor.

    Ela que sempre se entregava, que sempre esteve ali, tão cheia de amor, com tanto carinho a ofertar, nada conseguiu em troca além de algumas migalhas de sentimentos, de momentos de prazer que invadiam seu coração, pra depois ver a pessoa amada ir embora, lhe dizendo que nada aconteceu.

    Seria ela egoísta por querer viver este sonho de menina?

    Seria ela tão insignificante, tão desprezível a ponto de nunca permanecer na vida de ninguém? A ponto de nunca ser vista como a escolha certa, como a escolha final.
    Sentia-se como uma espécie de estepe na história dos outros, como um momento de descontração, como uma brincadeira sem valor, onde o outro busca apenas saciar seu prazer momentâneo, satisfazer suas vontades e depois deixá-la com o vazio e a carência, deixando-a de lado para retornar quando lhe convém, quando as outras opções tiverem se esgotado.

    Ela se cansara disso, sentia-se esgotada, humilhada, mas não conseguia dizer não, algo dentro dela se recusava a acreditar na verdade que estava escancarada em sua face, em seu reflexo no espelho, em suas sombras, se recusava a acreditar que mais uma vez se viu usada, que mais uma vez caiu nas garras do maldito amor que insiste em mostrar que ela não é digna de viver o que almeja, que insiste em refletir no espelho que à ela restara pra sempre a solidão e o vazio…

  • Monstro

    eria ela um monstro?
    Um animal que vivia sedado por não ter o controle sobre si mesma, sobre sua mente, suas atitudes.
    Um terrível e gélido monstro que não via nada à sua frente além do frio e da destruição, a autodestruição, cada corte era uma marca do monstro tentando se libertar, mas ela tinha que ser forte, ela precisava, haviam pessoas por ela, que a mantinham viva e algemavam o monstro dentro dela.
    As vezes ela pensava em morrer pra matar o monstro que se tornara, ouvia os gritos dele a chamando de lixo, de inútil, mas ela gritava contra ele: “Não sinta! Não sinta!”
    Ela tentou…
    E continuava tentando, sem visão, sem perspectiva,
    apenas segurando o monstro e tentando de novo.

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