eria ela um monstro?
Um animal que vivia sedado por não ter o controle sobre si mesma, sobre sua mente, suas atitudes.
Um terrível e gélido monstro que não via nada à sua frente além do frio e da destruição, a autodestruição, cada corte era uma marca do monstro tentando se libertar, mas ela tinha que ser forte, ela precisava, haviam pessoas por ela, que a mantinham viva e algemavam o monstro dentro dela.
As vezes ela pensava em morrer pra matar o monstro que se tornara, ouvia os gritos dele a chamando de lixo, de inútil, mas ela gritava contra ele: “Não sinta! Não sinta!”
Ela tentou…
E continuava tentando, sem visão, sem perspectiva,
apenas segurando o monstro e tentando de novo.
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Monstro
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Mãos trêmulas
Suas mãos estavam trêmulas, o corpo carregava o peso de 100 anos, mas ela tinha apenas 25.
Ela perdera o controle de suas mãos, assim como perdera o controle de sua vida, vivia vagando dentro de si mesma perdida em meio aos pensamentos que a faziam chorar.
Ela já estava acostumada a chorar, a tristeza era sua maior companheira, como uma amiga de longos anos, eram inseparáveis, sua tristeza era sua melhor companhia, talvez a única, pois ela preferia o isolamento, ela se afastara de todo mundo, talvez ela não fizesse mais parte dele, o mundo era grandioso demais, cheio de vida de mais e com toda certeza isso seria demais pra ela, que estava vazia e pequena.
Os tremores eram tão frequentes quanto a tristeza que a assolava e ia crescendo dia dia após dia, ela se cansara disso da mesma forma como se cansara de viver, aliás a tempos que já não vivia, isso não era vida, não podia ser chamado de vida, ela sequer conseguia escrever, sequer conseguia controlar as próprias mãos.
Aos poucos os “te amo” viraram “gosto de você” e ela sabia o que viria depois, ela já vivera isso antes, tudo que ela queria era poder viver de novo, de verdade, ou que ela pudesse descansar de uma vez, não ter mais que carregar seus 100 anos no corpo que era pra ser tão jovem, isso é impossível, isto a tornara um corpo que vagava com uma alma morta.
Ela seguia os mesmos caminhos, via as mesmas pessoas, fazia todos os dias as mesmas coisas, seguindo no modo automático, como um objeto de decoração ou como uma planta em um vaso, vegetando sem ter pedido pra estar ali e estando apenas para agradar aqueles que a observam.
Até a morte havia se esquecido dela, não viria mais lhe buscar e ela estava condenada a ficar para sempre ligada a este corpo seco, já era de se esperar que até a morte a esqueceria e como não seria assim, se até ela mesma já havia se esquecido, perdida em meio a tantos e tantos anos que equivaliam a séculos de peso e carga emocional.Ela estava muito cansada, sabia que era hora de partir, de descansar, mas não conseguia fazer isso, suas mãos tremiam demais para qualquer forma que ela pensasse em pôr um fim nessa dor, seu castigo era viver, ver todos que ela se afeiçoou partirem, deixando-a para trás, sozinha sempre…
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Mãe
Precisava tanto de ti agora, pra me dizer o que fazer, que rumo tomar, você sempre enfrentou as dificuldades da vida de uma forma tão fácil, queria ser assim como você!
Precisava dos teus conselhos, da tua voz, do teu colo, já não sei o que fazer, me sinto fraca e pequena, incapaz de resolver meus próprios problemas.
Lá fora chove, mas aqui dentro é como se existisse uma tempestade que está me inundando e me fazendo afogar, não consigo por os pés no chão, não to conseguindo remar este barco e estou vendo ele afundar sem que eu possa fazer nada.
