• Quando ele sente, mas não sabe mostrar

    Amar alguém que não sabe amar é como segurar água nas mãos
    ela existe, está ali, toca a pele… mas insiste em escapar pelos dedos.

    Você sente o calor quando ele se abre,
    nas raras vezes em que o coração dele esquece de erguer muralhas.
    Mas logo vem o silêncio,
    o afastamento,
    o jeito de quem não sabe se merece o que recebe.

    Ele gosta, você vê nos olhos, no tom da voz, nas palavras soltas em noites improváveis.
    Mas o gostar dele vem cheio de pausas,
    cheio de vazios que você tenta preencher com sua luz.

    E assim você se diminui,
    faz-se farol,
    faz-se abrigo,
    espera a tempestade passar.

    Só que amar alguém assim é também se perguntar:
    E quem me ilumina quando a minha luz se apaga?

  • Lucidez em ruínas.

    No sofá da sala, o corpo apaga
    o que a mente insiste em não desligar.
    Mais uma noite, mais alguns goles,
    enquanto o pensamento vai se partindo em ecos,
    surto manso que se alastra em silêncio.

    Cada dia mais longe da lucidez,
    cada dia mais perto de você.
    Um misto de loucura e desejo,
    uma vertigem que me prende,
    me afoga e me embriaga no mesmo gole.

    Te imagino aqui,
    no espaço vazio entre o copo e meus dedos,
    no calor que minha pele inventa
    pra sentir a sua.

    É febre e é falta,
    é vício e é cura,
    é o delírio doce
    de querer mais do que posso ter,
    e ter você mais do que deveria querer.

    E quando fecho os olhos,
    você vem inteiro,
    como um sussurro que invade
    meus pensamentos mais secretos.

    Sinto o peso da sua mão imaginária
    guiando meus instintos,
    o calor da sua respiração
    ardendo na curva do meu pescoço.

    A distância se dissolve,
    o mundo se apaga,
    e é só você,
    me olhando como quem sabe
    o que fazer com todas as minhas quedas.

    Meu corpo já não obedece à razão,
    segue apenas o compasso da sua ausência,
    essa melodia torta
    que me embala entre a saudade e o desejo.

    E mesmo sabendo
    que talvez você nunca chegue,
    eu continuo te esperando
    em cada gole,
    em cada noite,
    em cada loucura que invento
    pra não deixar você ir embora de mim.

    Porque no fundo,
    eu sei que não bebo pra esquecer…
    bebo pra te encontrar.

    No amargo do último gole,
    é você que eu provo,
    é a tua boca que eu sinto,
    mesmo que nunca tenha sido minha de verdade.

    E se um dia você vier,
    nem que seja só por uma vez,
    que venha inteiro,
    cru,
    sem máscaras,
    pra que eu possa enfim enlouquecer
    de um jeito que me salve e me destrua ao mesmo tempo.

  • Lágrimas de amor – Pela voz dele:

    “Hoje eu precisei de você.
    Não como colega, não como aquela Torre que segura as pontas quando tudo desaba… mas como a única pessoa que eu sabia que poderia ouvir o peso que eu carregava sem me julgar.
    E você atendeu.

    Eu não sei se você percebeu, mas chorei porque não tinha mais onde guardar tanta coisa. Não é fácil me despir assim na frente de alguém, mas com você foi inevitável talvez porque, de alguma forma, sempre achei que você já enxergasse o que existe por trás de tudo que eu mostro pro mundo.

    Te falei sobre ela… sobre essa história mal resolvida, sobre esse pedaço do meu passado que às vezes ainda sangra. Ela disse que não vem por sua causa, porque eu gosto de você.
    Talvez ela tenha razão, talvez eu já soubesse disso antes mesmo dela dizer, mas confesso: ouvir isso de outra boca me fez pensar.

    E no final, quando você disse “se cuida, porque eu te amo”, eu quis guardar sua voz num lugar onde nem o tempo pudesse tocar. Respondi que também te amo e não foi só um reflexo, foi verdade, mesmo que eu ainda não saiba dar nome ao que sinto.

    Obrigado por ser meu porto, minha pausa, meu abrigo de um dia difícil.
    Talvez você nunca saiba o quanto isso significa.”

    Ele…
    O meu Rei.

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