• Quando a minha luz se apaga

    Eu sempre achei que amor fosse ponte,
    mas com você aprendi que também pode ser abismo.
    Você chega perto, me toca a alma…
    e logo se esconde,
    deixando-me conversando com o eco da sua ausência.

    Passei dias acreditando que era só questão de tempo,
    que um dia você ficaria,
    que um dia me escolheria inteiro.
    Mas percebi e doeu
    que amor que vem só às vezes não aquece,
    e que promessas feitas no impulso não sustentam madrugadas frias.

    E então eu me vi no escuro,
    esperando por uma luz que nunca vinha.
    Até entender que eu também mereço ser acesa,
    não apenas ser vela que queima por dois.

    Amar é lindo.
    Mas amar sozinha…
    é se perder tentando salvar quem não quer ser encontrado.

  • Quando ele sente, mas não sabe mostrar

    Amar alguém que não sabe amar é como segurar água nas mãos
    ela existe, está ali, toca a pele… mas insiste em escapar pelos dedos.

    Você sente o calor quando ele se abre,
    nas raras vezes em que o coração dele esquece de erguer muralhas.
    Mas logo vem o silêncio,
    o afastamento,
    o jeito de quem não sabe se merece o que recebe.

    Ele gosta, você vê nos olhos, no tom da voz, nas palavras soltas em noites improváveis.
    Mas o gostar dele vem cheio de pausas,
    cheio de vazios que você tenta preencher com sua luz.

    E assim você se diminui,
    faz-se farol,
    faz-se abrigo,
    espera a tempestade passar.

    Só que amar alguém assim é também se perguntar:
    E quem me ilumina quando a minha luz se apaga?

  • Lucidez em ruínas.

    No sofá da sala, o corpo apaga
    o que a mente insiste em não desligar.
    Mais uma noite, mais alguns goles,
    enquanto o pensamento vai se partindo em ecos,
    surto manso que se alastra em silêncio.

    Cada dia mais longe da lucidez,
    cada dia mais perto de você.
    Um misto de loucura e desejo,
    uma vertigem que me prende,
    me afoga e me embriaga no mesmo gole.

    Te imagino aqui,
    no espaço vazio entre o copo e meus dedos,
    no calor que minha pele inventa
    pra sentir a sua.

    É febre e é falta,
    é vício e é cura,
    é o delírio doce
    de querer mais do que posso ter,
    e ter você mais do que deveria querer.

    E quando fecho os olhos,
    você vem inteiro,
    como um sussurro que invade
    meus pensamentos mais secretos.

    Sinto o peso da sua mão imaginária
    guiando meus instintos,
    o calor da sua respiração
    ardendo na curva do meu pescoço.

    A distância se dissolve,
    o mundo se apaga,
    e é só você,
    me olhando como quem sabe
    o que fazer com todas as minhas quedas.

    Meu corpo já não obedece à razão,
    segue apenas o compasso da sua ausência,
    essa melodia torta
    que me embala entre a saudade e o desejo.

    E mesmo sabendo
    que talvez você nunca chegue,
    eu continuo te esperando
    em cada gole,
    em cada noite,
    em cada loucura que invento
    pra não deixar você ir embora de mim.

    Porque no fundo,
    eu sei que não bebo pra esquecer…
    bebo pra te encontrar.

    No amargo do último gole,
    é você que eu provo,
    é a tua boca que eu sinto,
    mesmo que nunca tenha sido minha de verdade.

    E se um dia você vier,
    nem que seja só por uma vez,
    que venha inteiro,
    cru,
    sem máscaras,
    pra que eu possa enfim enlouquecer
    de um jeito que me salve e me destrua ao mesmo tempo.

Categorias


Pesquisar