• A Torre caiu…

    Você me venceu,
    Eu tentei de todas as formas,
    Resisti com tudo que pude pra tentar ser a pessoa que eu sempre fui:
    Amiga, companheira, fiel as coisas que acredito e que achava que era o certo,
    Mas você sempre vinha com uma faca na mão, me cortando, me podando.

    Eu tinha que andar pisando em cacos de vidro, cuidando com o que falava, cuidando como deveria agir,
    Me moldando a algo que eu nunca fui, só pra continuar ali
    E isso foi me destruindo, só me destruindo.
    Até que chegou a um ponto onde o limite do inaceitável foi rompido.

    Você sempre esteve com uma arma na minha cabeça, me guiando tal qual sequestrador manipula sua vítima,
    Mas dessa vez você atirou e eu não tinha mais resistência.
    Eu caí morta na sua frente e você não fez nada,
    Mesmo ali caída ainda podia ouvir o eco da sua voz me lembrando do quão o mundo seria cruel comigo,
    Mesmo que essa crueldade hoje vinha de você,
    O quanto o mundo queria meu fim, minha morte, minha destruição,
    Mesmo que era você quem estava me destruindo agora.

    Ali morria todo o resto que havia ficado de mim, o monstro havia me vencido sem que eu tivesse qualquer defesa,
    Porque eu me desarmei inteira pra você e fui apunhalada por aquele que coloquei como peça mais importante de meu tabuleiro.

    Houve um tempo que você me desenhava como a Torre
    E eu estava ali o tempo todo pra te proteger, até de você mesmo quando, como rei que você foi, pensou em tombar e desistir do jogo,
    Mas quem podia me proteger de você? Quem protege a Torre?
    Eu fui me quebrando a cada golpe e resisti até a ultima jogada que tinha força,
    Mas caí…
    E quem perdeu o jogo fui eu.

    Foi o fim pra mim.

  • O Último Dia

    Eu sei que vai chegar, falta tão pouco

    O dia que eu tanto temi e que mesmo assim contei nos dedos pra ter mais uma chance de te ver.
    Será a última vez.
    A última de verdade.

    Você vai entrar pela porta como sempre fez.
    O mesmo sorriso no rosto, o mesmo jeito distraído de quem nem imagina o furacão que carrega dentro de mim.
    E eu vou estar ali, tentando parecer inteira.
    Tentando não deixar escapar o abismo que se abriu dentro do meu peito.

    Conversaremos.
    Vamos rir como sempre fizemos
    E talvez venham outros abraços, até.
    Mas tudo estará diferente.
    Ou talvez será só eu tentando congelar cada segundo.
    Tentando guardar no olhar o contorno do seu rosto, no corpo o peso dos seus abraços, no coração…
    Ah, no coração…
    O gosto amargo do nunca mais.

    Você vai se despedir como sempre.
    Com um abraço. Forte.
    Ficarei ali por mais um instante, com o rosto escondido no teu peito, torcendo pra que você sinta o quanto eu queria ficar.

    Mas sei que não vou dizer nada.
    Não falarei da dor.
    Nem do amor.
    Só te olhar. E deixar você ir.

    Ver seus passos se afastando até desaparecerem no corredor.
    E só quando a porta se fechar atrás de você, é que o mundo irá desabar.
    Será ali, naquele exato segundo, que eu terei o coração quebrado de verdade.

    Você vai.
    E com você vai a esperança, a ilusão, o beijo, os abraços que silenciavam o barulho da minha mente, o nós que nunca existiu.
    Ficará só o silêncio e o vazio que tem o seu nome.

    Mas mesmo assim, mesmo sendo o fim, mesmo com os olhos inchados e o peito esmagado…
    Obrigada.

    Por ter sido amor, mesmo que só pra mim.
    Por ter me feito sentir viva, mesmo que me mate agora.
    Por ter sido o meu menino, mesmo que por pouco tempo.

    Agora eu preciso aprender a te deixar ir.
    Mesmo sem saber como fazer isso.

    Adeus, amor da minha vida.
    Adeus.

  • Luto de um Quase Amor

    Existe um tipo de luto que ninguém entende.
    É o luto por algo que nunca chegou a ser, mas que, dentro da gente, já era tudo.
    Um luto silencioso, invisível, desprezado até por quem o causou.
    O luto por um “quase”.

    Quase amor.
    Quase história.
    Quase abraço definitivo.
    Quase um começo bonito que acabou antes de ser escrito.

    Você e eu…
    Nunca fomos oficialmente nada e ainda assim, eu perdi tudo.

    Perdi planos que só existiam na minha cabeça,
    sonhos que eu construí com cada palavra sua,
    com cada gesto que parecia dizer: “fica”.
    Perdi as conversas longas, os sorrisos fáceis, os olhares que eu jurei que diziam mais do que você conseguia dizer.

    Agora me resta esse luto que tem seu nome,
    de algo que não houve fim, só ausência.
    Não houve despedida, só silêncio.
    Não houve morte, mas houve um adeus que doeu mais do que qualquer grito.

    Eu me vejo tentando seguir,
    mas tem um pedaço meu que ainda espera.
    Que ainda acredita que esse “quase” vai voltar e, quem sabe, virar alguma coisa.
    Mas ele não volta.
    E eu preciso aceitar.

    Luto por um amor que não foi e que se foi,
    mas que me tocou como se tivesse sido o maior da minha vida.
    E talvez tenha sido, mesmo sem ter sido nada.

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