• Você tá aí… E eu aqui.

    A essa hora, talvez esteja com ela. Talvez sorrindo, distraído, talvez nem lembrando que eu existo.
    Enquanto isso, eu tô aqui, sozinha com esse turbilhão de pensamentos e sentimentos que não consigo conter.
    A saudade é quase física, uma dor que morde o peito devagar e depois aperta com força.

    A boca que um dia foi minha em um instante breve de verdade…
    O abraço que me aquieta só em pensamento…
    O toque que eu ainda sinto mesmo sem estar.

    Você talvez nem saiba, mas eu ainda tô aqui.
    Te esperando nos meus pensamentos, desejando que você se vire e me veja.
    Não como uma sombra ou lembrança distante, mas como eu realmente sou, inteira, entregue, sua.

    Larga tudo e me enxerga.
    Vê que eu tô aqui.
    Que mesmo em silêncio, mesmo me calando, mesmo fingindo que consigo seguir em frente como você, eu ainda tô aqui.

    Implorando em silêncio por aquele olhar que me atravessava.
    Por um gesto, um respiro, qualquer coisa que diga que em algum lugar dentro de você, eu ainda existo.
    Só me vê.

  • Dividida

    Existe um lugar no tempo em que a gente se vê parada na encruzilhada entre o que é certo e o que arde. Entre o que deve ser feito e o que se deseja com todo o coração. E é ali, bem nesse ponto suspenso entre dois mundos, que eu estou agora.

    De um lado, a estabilidade, o chão firme, os passos medidos. O que não machuca. O que não arranca a alma. O que me mantém em pé, mesmo que sem brilho nos olhos.

    Do outro, um furacão. Um olhar que me atravessa como flecha. Uma voz que acalma meu caos mesmo quando é a origem dele. Um sentimento que queima e me devora, mas que me faz sentir viva. E eu queria tanto… só mais um segundo desse fogo, desse toque que não aconteceu, desse beijo que eu imaginei mil vezes.

    A consciência me segura pela mão, tenta me puxar de volta, dizer que já basta, que o amor-próprio precisa ter a última palavra. Mas o coração é teimoso. Ele se arrasta, se ajoelha, se entrega, mesmo sabendo que talvez nunca receba nada em troca.

    É uma luta diária entre silenciar os sentimentos e sufocar quem eu sou. Porque quem eu sou… sente demais. Ama demais. Espera demais.

    E nessa espera, vou aprendendo a viver em metades. Um pouco aqui, outro pouco lá. Um sorriso fingido durante o dia, um choro escondido na madrugada. Um “tá tudo bem” dito com um nó na garganta. Porque o que eu queria mesmo era poder gritar:

    “Me escolhe.”

    Mas não grito. Porque sei que, talvez, ele nunca escute. Ou pior: escute e continue indo embora.

    Hoje, sou só essa versão de mim mesma: dividida, mas tentando costurar pedaços, como quem reconstrói uma colcha de retalhos com os cacos de uma história que quase foi. Quase.

    E no fim, sigo aqui… tentando encontrar um jeito de existir entre o que é certo e o que me consome por dentro.

  • Contando os Dias pra Ver Você

    Tem gente que espera pelo fim de semana, pela sexta-feira, por uma viagem marcada, por um feriado prolongado. Eu espero por você. Espero pelo dia de te ver como quem conta as horas pra algo que aquece, que bagunça, que dói e alivia ao mesmo tempo.

    Tem sido assim. Os dias vão passando, lentos e arrastados, como se o tempo soubesse que eu só funciono direito quando você está por perto. No meio do caos do cotidiano, da bagunça de sentimentos, da vida que segue torta, tem esse ponto de luz chamado “dia de ver você”. E é por ele que eu caminho, mesmo mancando, mesmo cansada.

    Você nem imagina o quanto a sua presença, mesmo que não seja como eu queria, ainda tem o poder de reanimar minha alma. Como um gole d’água depois de muito tempo no deserto. Como um abraço que não aconteceu, mas que eu sinto mesmo assim toda vez que você se aproxima, me olha, me fala com aquela voz que eu reconheceria entre mil.

    E não é que a vida parou por sua causa, não. Ela continua, exigindo minha força, minha rotina, meus compromissos. Mas tudo tem uma cor meio desbotada quando você não está. E aí, quando o dia marcado se aproxima, meu coração se apressa, minha mente se enche de cenários imaginados, e eu me pego sorrindo sozinha só de pensar na possibilidade de estar do seu lado de novo.

    É que tem amor que acontece no silêncio. Tem paixão que mora na entrelinha. Tem saudade que aperta sem que a gente nunca tenha tido o suficiente pra chamar de nosso.

    E enquanto eu não sei o que você sente, enquanto eu finjo naturalidade pra não te assustar, enquanto você se faz de desentendido ou talvez só tenha mesmo medo… eu sigo aqui, fazendo do meu peito um lar provisório pra essa ausência. E contando os dias, sempre contando os dias, pra te ver de novo.

Categorias


Pesquisar